Em Breve

Não há mais enigmas na realidade.

Tudo já foi decifrado pela via da dialética e do atrito.

“Dialética" e "atrito" são as palavras mágicas que nos permitem entender o que é a realidade e, portanto, o que é ser um vir obscurus. Aquele que não sabe o que é dialética, ou no mínimo não raciocina pelo prisma da dialética, não entendeu ainda a realidade, logo, não entendeu nada. E não há mais enigmas na realidade, acredite.

Tudo o que há de mais importante já foi decifrado pela via da dialética e do atrito. Claro que não sabemos muita coisa, ainda, mas as grandes perguntas – de onde viemos, o que somos e para onde vamos – já foram respondidas. Acontece que, para compreender o mundo, o indivíduo precisa ser dialético, raciocinar dialeticamente. Isto porque a realidade é dialética, ou seja, manifesta-se dialeticamente. Se ele não for minimamente dialético, ao menos dialético intuitivo, não tem como entender o real, impedido que está de alcançar as grandes verdades.

Tal qual a teoria da relatividade e a lei da gravidade, a dialética é real, é concreta, está presente em todos os poros da realidade. Cabe a nós, os humanos, reconhecer e entender isto, ou seja, reconhecer e entender a dialética como uma das principais formas de manifestação da realidade, isto é, como uma de suas mais significativas peculiaridades e características. Só assim podemos fazer uma leitura correta e científica do real. O não-dialético nunca alcance a verdade das coisas. Ele precisa ser, no mínimo, um dialético intuitivo para poder alcançar e entender minimamente a realidade.

Você já é um dialético? Veja se é. Todas as coisas deixaram-se impregnar, objetivamente, pela dialética, que é um traço marcante da matéria, logo, um traço marcante de tudo, já que tudo é matéria. Por isso, é preciso aprender a articular-se e a raciocinar dialeticamente, pois só assim podemos entender o real e alcançar a verdade da matéria. Tudo surge e se afirma no real a partir de processos dialéticos, isto já é científico. E quem desconhece este pressuposto ainda não entendeu também a realidade, não entendeu nada.

Em resumo, a dialética é propriedade da matéria, da mesma forma que o é a força gravitacional. Na verdade, a dialética é a lei da gravidade completada e enriquecida. Ou melhor, a lei da gravidade é incompleta, parcialmente verdadeira e falha, ou seja, é uma "meia-verdade" que se completa e se torna verdade absoluta se acrescida da dialética. Em outras palavras, a lei da gravidade é só a metade da missa. Já a dialética, que inclui a lei da gravidade, é a missa inteira porque é toda a verdade científica.

E isto precisa ser explicado. Sabemos todos que tudo está em movimento. Por que tudo está em movimento? Porque existem a força gravitacional e os fenômenos da atração e da repulsão: os corpos atraem uns aos outros, matéria atrai matéria. Portanto, temos no real, como constante, a força gravitacional, a atração e a repulsão etc., que põem tudo em movimento, até mesmo (e principalmente) os dados de realidade do mundo quântico (do mundo subatômico). Até aqui, estamos ainda circunscritos à lei da gravidade. Mas esta lei não é tudo, é apenas parte da missa, como você já viu.

Ocorre – e aqui está a chave da questão – que a realidade é mais do que isto, ou melhor, é mais do que a força gravitacional. Se tudo está em movimento, tudo está se atritando com algo (com o ar etc.), está em desgaste permanente, portanto, em constante transformação. É óbvio, não? Nada "é" uma coisa, tudo é tão-somente um "ir-sendo". Você nunca "é" uma coisa que se tornou fixa, estática e constante no tempo, mas sim um perene "ir-sendo", um "constante-ser-em-transformação". Mais do que isto, todo corpo (qualquer forma de matéria), no seu movimento, segue numa ou mais "direções".

Resumindo, tudo está em movimento e, portanto, chocando-se ou atritando-se com algo. Logo, a realidade é muito mais rica e complexa do que a simples lei da gravidade, posto que, se tudo está em atrito, tudo está produzindo incessantemente o novo.
Se a realidade é, ao mesmo tempo, a lei da gravidade, as forças de atração e repulsão, o movimento das coisas numa determinada direção e o seu constante atrito, temos que tudo está em constante transformação, criando a cada instante o novo. Ou seja, a realidade são, na verdade, choques/atritos e, por fim, tendências, pois todo choque ou atrito produz coisas. Não existe nenhum choque ou atrito que não produza absolutamente nada.

Daí que a lógica verdadeira presente no real é: todas as coisas surgem a partir de choques e atritos que se processam na realidade, ou seja, vêm das lutas de contrários. Tooooooodas!!! Aqui temos, acrescida à lei da gravidade, a dialética explicada e conceituada. Isto, e somente isto, é que é a dialética. Assim, a dialética é apenas uma propriedade da matéria, ou melhor, uma lei geral da matéria: a dialética está aí fora, em todos os poros da realidade. A matéria (inclusive, nossos sonhos e emoções, que também são formas de matéria) é que é dialética, não regida unicamente pela lei da gravidade. A realidade é que é dialética, não algo que contém apenas a força da gravidade.

Ponha isto na cabeça: Deus existe, sim, e Ele é o atrito, a fonte de origem de todas as coisas, o criador do universo. Você pode usar sinônimos para o atrito, como “luta de contrários”, “contradição”, “encontrão”, “choques dialéticos”, “vaivém dialético”, “contraposição”, “antinomia”, “choques de opostos”, “fricção dialética”, o que o valha: o atrito é a mãe criadora de tudo que é real e concreto, até mesmo da virobscuridade (alienação).

Ora, se tudo tem origem nos "encontrões", nos choques, nos atritos, é evidente e cientificamente lógico que os "encontrões" são a origem de tudo e explicam tudo o que existe. Assim, temos de necessariamente levar em conta os "encontrões" que geram as coisas se quisermos fazer uma leitura correta da realidade.

Toda vez que você vai estudar algo, precisa iniciar necessariamente com esta pergunta: "Quais foram os atritos ou encontrões (lutas de contrários) que deram origem a este objeto?" Se você não proceder desta maneira, não estará fazendo ciência autêntica. E isto é lei banal da matéria, descoberta feita pela ciência autêntica há mais de 150 anos. Você pode não acreditar na dialética e até tentar derrubá-la, tem todo o direito. Mas traga argumentos que se sustentem para contestar a presença da dialética na natureza, não achismos nem clichês do tipo "é óbvio que isso está errado" ou "isso tudo é bobagem", pois foi assim que a Igreja agiu com Galileu e Hitler com Einstein.

É por isso que, se você não considera a dialética, na apreensão e exame de algum fenômeno, necessariamente chega a conclusões falsas a respeito dele. Em resumo, se você não é dialético e não considera a dialética, o Estado não é o que você imagina, a política não é o que você imagina, a família não é o que você imagina, você não é o que imagina, nada é o que você imagina, e por aí vai, infinitamente, numa sucessão interminável de deslizes e equívocos.

Lamentavelmente, hoje em dia, já nos viciamos em enxergar a realidade de forma bastante equivocada e deformada. Normalmente, não consideramos que a realidade é, em cada um de seus poros, dialética e se manifesta dialeticamente. E este é um erro tão grave quanto não considerar a lei da gravidade ou a teoria da relatividade em qualquer formulação científica que fazemos.

Em geral, os cientistas da atualidade trabalham com a noção de que a dialética é uma doutrina, no que estão completamente errados. E, pior, eles também ignoram que estão errados. Em suma, a maioria não aceita a dialética justamente porque acredita, de forma equivocada, que ela é ponto de vista de algum filósofo, constructo subjetivo (com o que, a propósito, a maioria dos cientistas também equivocadamente concorda). Mas não é isto. A dialética é apenas um dado concreto tão presente na realidade quanto o ar e a água. Portanto, reitero, a dialética não é invenção, opinião nem ponto de vista ou pensamento, da mesma forma que não o é a lei da gravidade. Ela é dado concreto. A dialética é a realidade. A realidade é dialética.

Quando esbarram num texto estruturado na dialética, como todos os deste site, os cientistas da atualidade tendem a interromper a leitura logo na primeira construção da qual discordam e a abandoná-lo, por considerá-lo falso e equivocado. Como carregam dentro de si convicções falsas a respeito de tudo e já se viciaram em conceitos falhos e equivocados, a leitura que fazem de qualquer texto geralmente incorre em erros de interpretação, pois está sempre eivada de premissas e noções, quando não de preconceitos a respeito das coisas, em especial, a respeito da dialética.

Por causa disso, os cientistas da atualidade acabam agindo com as obras dialéticas como a Igreja agiu com Galileu, quando o rejeitou e por pouco não o fez arder na fogueira. Um bom exemplo para explicar esse tipo de comportamento está no padre. Quando levado a ler um texto que combate o criacionismo, ele tende a rejeitá-lo já na primeira frase com a qual não concorda. "Ah, isto é bobagem, não vou mais ler o resto", diz ele já na primeira formulação que questiona a existência de Deus, da qual está plenamente convencido (convicção equivocada, por sinal).

Isto acontece porque, para ele, Deus é o criador de tudo, não adianta você provar cientificamente que Deus não existe nem que Ele não é tudo. Impregnado dessa falsa convicção, o padre fatalmente interpretará de maneira equivocada qualquer texto anticriacionista. Por achar que a tese criacionista é correta, nada que é científico e já comprovado cientificamente sobre a origem das coisas acabará sendo aceito pelo padre.

Não temo que você também venha a fazer uma leitura, assim, como a do padre, dos textos deste site. Mas, pelo sim, pelo não, peço para que tome cuidado e só leia os nossos textos depois de passar os olhos por esta introdução. Tal qual o padre, todos nós temos nossas convicções, até já nos viciamos nelas e as consideramos corretas. Mas elas podem ser falsas, não se sustentarem, e geralmente ignoramos isto. Tem sido comum o não-dialético bater os olhos nos textos dialéticos, encontrar algo que esbarra em uma de suas falsas convicções e tender a considerar equivocado e falho o que encontrou, abandonando, irritado, a leitura.

Para driblar isto, neste meu site tentei descortinar, ao internauta, numa linguagem bem fácil, o verdadeiro conceito de dialética, enfim, explicar o que ela efetivamente é, e mostrar também a noção equivocada a respeito dela que está, hoje, na cabeça da maioria dos cientistas. Pode ser que esta explicação que acabo de dar sobre a dialética seja desnecessária para você, internauta. Mas pode também não ser, daí eu ter lançado mão dela aqui.

Minha maior preocupação é que, em não sendo suficientemente dialético, você, internauta, possa assumir, sem se dar conta, uma postura preconceituosa diante do que encontrará em nosso site. Falo dessa coisa que acabei de mencionar aqui, de meu texto esbarrar em convicções do internauta que poderão ser falsas e equivocadas, e ele tender a abandonar imediatamente a leitura, por não acreditar naquilo que leu. Quero evitar que isto aconteça. Veja, não estou afirmando que isto acontecerá necessariamente com você, mas pode ser que sim.

Importante é ter em mente que, quando falo, por exemplo, do Estado, minha noção de Estado, que eu explico didaticamente neste site, é a que incorpora a dialética e que se opõe à visão não-dialética e vulgar de Estado, que pode ser a sua. Se você, por exemplo, for para essa parte do meu texto que fala do Estado munido de uma visão não-dialética, fatalmente não irá entender o que estou querendo dizer a respeito do Estado. Ou então achará a abordagem equivocada, e aí tenderá a abandonar a leitura do texto por considerá-lo sem consistência.

Outra preocupação que tenho: normalmente, o internauta não-dialético, seja ele cientista renomado ou não, tende a ler qualquer texto por tópicos. Habitualmente, põe o olho aqui e ali, naquilo que encontra por acaso no texto, e, munido de suas convicções, que podem ser falsas, já vai logo fazendo juízo de valor a respeito da primeira frase na qual bateu o olho e da qual discorda. E tenderá a considerá-la, pelas convicções falsas que carrega, totalmente equivocada, abandonando em seguida a leitura e deixando de acreditar no autor.

Ora, a demonstração científica de qualquer afirmação, formulação ou conceituação posta de pé, num texto, está necessariamente presente, com sólidos argumentos, no caso deste site, em outra parte dele. O internauta que assim proceder, lendo apenas aos tópicos e batendo os olhos somente aqui e ali, não só poderá perder essa argumentação científica, como também não captar o todo, que nunca é a soma das partes, você sabe, mas sim conteúdo diverso e igualmente importante.

Repito e, por favor, entenda. Não é exigência que você leia os livros aqui indicados. Mas, se for lê-los, peço que considere tudo isto que acabei de expor e que vá a eles munido também destas percepções aqui postas e de muita paciência. Cientistas modernos, celebridades, intelectuais e até mesmo gênios ainda não têm essas percepções. E quem não as conhece ainda não entendeu a realidade, apesar de todo o seu preparo.

Portanto, a dialética não é um arrazoado de idéias, um sistema de valores ou ponto de vista de um cientista ou filósofo, a ser aplicado à realidade. Pelo contrário, a realidade é que é dialética. Tudo que existe se afirma no real dialeticamente.

A lógica da objetividade é dialética, não cartesiana. O real se processa dialeticamente. A ciência busca a verdade das coisas. E a verdade das coisas é dialética. Portanto, a ciência tem de ser dialética para ser autêntica, uma vez que a dialética é, comprovadamente, um dado da realidade.

A dialética também não tem nada que ver com materialismo dialético, essa excrescência do estalinismo, nem com algo que até hoje foi entendido por poucos: as utopias. Dessa maneira, não entender a dialética – como acontece hoje com a maioria dos cientistas e intelectuais – é não entender como se processa a realidade nem o que ela de fato é.

Não ser dialético – ou seja, não ter compreendido nem se familiarizado com a dialética e, por isto, não ter entendido ainda a realidade – não deve envergonhar ninguém. Só fui me tornar dialético para valer com mais de 30 anos, depois de ter passado por uma "lavagem cerebral" na Escola de Sociologia e Política de São Paulo, onde fiz bacharelado e mestrado em ciências sociais. Até então, não raciocinava dialeticamente. Portanto, é preciso avançar seguindo nesta direção. Você vai ver que, incorporando a dialética como dado de realidade e guiado pela razão, tudo ficará muito mais fácil de entender, pois só a partir da clarificação da consciência é possível transformar verdadeiramente a sociedade que aí está.

Veja mais sobre a dialética e torne-se você um dialético também.