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Terra em Trânsito

Em Terra em Trânsito, o objetivo é a compreensão da dialética

Terra em Trânsito, livro publicado em 2001, imediatamente após o atentado às Torres Gêmeas, pretende levar a dialética àquele que ainda não a conhece. Um abismo separa o que o homem não-dialético imagina ser a realidade daquilo que a realidade efetivamente é.

A dialética não é uma invenção. A realidade é dialética e se manifesta dialeticamente. Tal qual a teoria da relatividade ou a lei da gravidade, a dialética está presente na realidade e emana dela. Então, é preciso conhecê-la, dominá-la.

Só mesmo a dialética é capaz de estabelecer a ponte entre o leitor e a verdade. E oferecer a ele os instrumentos necessários que permitem conduzi-lo a uma leitura saudável e correta de tudo o que aconteceu, está acontecendo e vai acontecer.

Assim, a dialética se coloca como a única ferramenta que possibilita, ao homem de hoje, captar a realidade em sua essência, ou seja, como ela de fato é. É portanto trilhando o caminho da dialética que o homem moderno pode descobrir como é de verdade o mundo, pode conhecer a si mesmo e desvendar os mistérios que o cercam.

Nesse sentido, Terra em Trânsito cumpre o seu papel, por ser de leitura fácil. A dialética é aqui esmiuçada e exposta com didatismo, sem menosprezar a inteligência do leitor.
A partir de artigos publicados no jornal Feijão c/Arroz, que lançou em Miami e durou pouco mais de um ano (1996-97), Tom Capri vai percorrendo o universo da dialética.
Articula, ponto por ponto, os principais conceitos, até erguer todo o arcabouço teórico que põe de pé a dialética.

Terra em Trânsito não deixa nenhum assunto importante, nenhum tema significativo, nada de lado. Direta ou indiretamente, toda a história da humanidade, desde o aparecimento da razão, está presente, vista de uma forma crítica e numa linguagem popular.

O leitor não-dialético familiariza-se com o que está por trás dos fenômenos do neoliberalismo, da globalização e da privatização. Fica sabendo o que são de fato o Estado, a polícia, as leis, a Justiça, a política, a família, a religião, a arte...
E é apresentado à verdadeira face da sociedade de classes. A essência do capitalismo é aqui desnudada, numa linguagem simples.

Respostas a grandes questões também estão presentes. Por que a psicanálise realmente não funciona nem resolve? O que é o trabalho alienado? Por que o homem está sempre às voltas com problemas sexuais e por que muitos ainda passam a existência sem ter um orgasmo?

Também vem à tona, com muita precisão, a velha dicotomia entre a esquerda e a direita.
Terra em Trânsito é na verdade uma operação desmanche da sociedade de classes. É uma tentativa, não idealista, de pôr de pé esse nosso mundo que está invertido e de ponta-cabeça. Nada apresentado pelo autor é original, praticamente tudo aqui já foi dito alguma vez, em algum lugar.

Acontece que a realidade, para o homem não-dialético, permanece fechada numa redoma de vidro fosco e obscuro. Por isso, ainda lhe é impenetrável.

A dialética e seus instrumentos tornam esse vidro transparente, de tal maneira que tudo fica muito claro e fácil de entender. É com esse objetivo que aí está Terra em Trânsito.
Para o homem não-dialético, fazer essa viagem, mais do que um passeio por vezes diletante e até divertido, é uma tarefa obrigatória.